

O designer Fernando Hage, de 23 anos, é um apaixonado por moda. Tanto que, quando decidiu trabalhar no ramo, foi logo buscar formação na área, obtida através de cursos do Senac no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sobre o seu trabalho, ele diz que procura seguir duas diretrizes: o estudo comprometido de modelagem e construção, no qual é autodidata; e a pesquisa comprometida com a história e valores da cultura amazônica, transpostas para o ambiente urbano e pós-moderno que permeia o seu universo.
No início do ano passado, Fernando apresentou, na Universidade do Estado do Pará (Uepa), onde se graduou, a monografia de conclusão de curso intitulada “Identidade Amazônica: Pesquisa e Produção no Design de Moda”, na qual alia estudo histórico sobre a cultura e a moda na cidade de Belém e a produção de uma coleção de roupas femininas, o que acabou sendo ponto de partida para o início da produção de coleções sazonais, como é o caso de “Natureza Antrópica”, seu primeiro desfile em um espaço para novos criadores do Iguatemi Fashion Days-Belém, importante evento de moda da cidade. Hoje, o trabalho de Fernando é comercializado principalmente em mercados alternativos, como é o caso do Caixa de Criadores, evento no qual também pratica a função de produtor. Em breve, as peças também estarão na loja Ná Figueiredo. Sobre essa iniciativa, o jovem estilista conversou um pouco mais com a Big Ben. Confira o que ele fala sobre moda, formação, mercado de Belém e, claro, período natalino:
BB: Fernando, como nasceu o seu interesse pela moda? Sempre foi um desejo seu trabalhar com isso?
FH: Minhas primeiras lembranças são de idas com a minha avó em lojas de tecido. Sempre fui ligado à criação, já passei por cursos como Publicidade e foi nesse momento que percebi que não gostaria de vender um produto, como acontece com um publicitário, mas sim, criar e produzir produtos do meu jeito. Foi por isso que entrei no curso de Design de Produto.
BB: Você informou que é autodidata no estudo de modelagem e construção. No que consiste isso? Você acredita que o estilista não precisa ter formação para praticar o seu ofício?
FH: Sou autodidata no estudo de modelagem, que é o desenho plano da roupa para o corte do tecido, além de exercícios de construção de peças diretamente no manequim, abrindo um leque de possibilidades em minhas criações. Meu trabalho é muito focado no molde, trazendo modelagens diferenciadas e com identidade própria.
Sou completamente a favor da formação em moda. Tenho formação em Design mas sempre busquei cursos da área para complementar meu currículo. No mercado de hoje, somente uma boa formação pode trazer diferencial de produto, já que não basta só ser criativo. Deve-se pensar na moda como um negócio e um objeto de estudo social. Por isso, em breve, estarei cursando mestrado na área, pois sei da importância do conhecimento para o crescimento na área.
BB: Você e outros jovens estilistas fazem parte do projeto "Caixa de Criadores", elogiado coletivo de moda em Belém. Como surgiu o grupo e no que consiste o trabalho de vocês?
FH: Nós somos um grupo de estilistas que, percebendo a necessidade de criar uma plataforma pra difusão e comercialização de nossos produtos, decidimos criar o evento Caixa de Criadores, um espaço para novos criadores e uma plataforma de informação pra esquentar o mercado da moda na cidade. Nosso trabalho é de organizar o evento e participar de palestras, cursos e afins, sempre pensando na constante formação de criadores e público consumidor.
BB: Como você avalia o mercado local, hoje, tanto para os produtores de moda (estilistas, artistas, designers), quanto para os outros profissionais, como modelos, cabeleleiros, maquiadores, etc?
FH: Ainda estamos em um mercado embrionário. Nenhuma dessas funções têm uma valorização real, ou seja, o mercado e os valores praticados ainda são muito baixos. Não existem investimentos sérios e constantes na formação de novos profissionais e empresas. Enquanto o mercado de desfiles e eventos cresce, a parte mais importante da cadeia, que é a indústria e os investimentos em pesquisa, é inexistente no nosso Estado. Enquanto alguns produtores enchem a boca para dizer que estão criando um pólo de moda em Belém, tenho a convicção que essa é uma realidade muito distante, pois precisamos nos unir e ganhar muitos incentivos governamentais e privados.
BB: Você costuma se envolver em palestras e oficinas de moda em geral. Como avalia o interesse das pessoas, sobretudo dos jovens? Tem muita gente pensando em se tornar estilista, por exemplo?
FH: Cada vez mais o número de interessados na carreira de estilista aumenta, graças à imagem do glamour que envolve a profissão, mas poucos são aqueles que compreendem a moda como um sistema muito extenso, que envolve fatores econômicos e sociais e engloba uma cadeia produtiva mais extensa ainda. Minhas palestras e oficinas vêm pra criar essa consciência e fazer com que aqueles que realmente se propõem a essa profissão tenham mais formação e consciência de todos os fatores que envolvem a produção de roupas.
BB: Quais são os eventos que o Caixa de Criadores está preparando para o final de ano em Belém?
FH: O Caixa de Criadores acontece do dia 1° de dezembro ao dia oito, sempre das 17 às 22 horas, trazendo 26 marcas de novos criadores de moda e design da cidade e os melhores presentes pra esse Natal. A entrada é franca, e estaremos recebendo no evento brinquedos novos e usados para a campanha Caixa de Sonhos, através da qual faremos o Natal de várias crianças mais criativo.
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Fernando Hage é bacharel em Design pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) e trabalha com design de moda desde 2004. Seu trabalho poderá ser encontrado no projeto Caixa de Criadores, que acontece do dia 1° ao dia oito de dezembro, das 17 às 22 horas, no Memorial dos Povos, localizado na avenida Governador José Malcher, 257, ao lado do Palacete Bolonha.
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